1 de jul de 2011

 ABORDAGEM DA VÍTIMA NA AREIA ou na BORDA DA PISCINA

1o - Ao chegar na areia, coloque o afogado em posição paralela a água, de forma que o socorrista fique com suas costas voltada para o mar, e a vítima com a cabeça do seu lado esquerdo.
* A cabeça e o tronco devem ficar na mesma linha horizontal.
* A água que foi aspirada durante o afogamento não deve ser retirada, pois esta tentativa prejudica e retarda o início da ventilação e oxigenação do paciente, alem de facilitar a ocorrência de vômitos.
* Cheque a resposta da vítima perguntando, 'Você está me ouvindo?'

2o - Se houver resposta da vítima ela está viva, e indica ser um caso de resgate ou grau 1, 2, 3, ou 4. Coloque em posição lateral de segurança e aplique o tratamento apropriado para o grau de afogamento.


Avalie então se há necessidade de chamar o CRA (ambulância) e aguarde o socorro chegar.
Se não houver resposta da vítima (inconsciente) - Ligue 193 ou peça a alguém para chamar o CRA ou os Bombeiros, e;
3o - Abra as vias aéreas, colocando dois dedos da mão direita no queixo e a mão esquerda na testa, e estenda o pescoço;


4o - Cheque se existe respiração - ver, ouvir e sentir - ouça e sinta a respiração e veja se o tórax se movimenta.


Se houver respiração é um caso de resgate, ou grau 1, 2, 3, ou 4. Coloque em posição lateral de segurança e aplique o tratamento apropriado para grau.
5o - Se não houver respiração - inicie a ventilação boca-a-boca - Obstrua o nariz utilizando a mão (esquerda) da testa, e com os dois dedos da outra mão (direita) abra a boca e inicie a primeira ventilação boca-a-boca observando a elevação do tórax, e logo em seguida a seu esvaziamento faça uma segunda ventilação,


e:
6o - Palpe o pulso arterial carotídeo ou cheque sinais de circulação (movimentos ou reação à ventilação) - Coloque os dedos (indicador e médio) da mão direita no 'pomo de adão' e escorregue perpendicularmente até uma pequena cavidade para checar a existência ou não do pulso arterial carotídeo ou simplesmente observe movimentos na vítima ou reação a ventilação feita.


7o - Se houver pulso, é uma de parada respiratória isolada - grau 5, mantenha somente a ventilação com 12 a 16 vezes por minuto até o retorno espontâneo da respiração.
Se não houver pulso ou sinais de circulação, retire os dois dedos do queixo e passe-os pelo abdômen localizando o encontro das duas últimas costelas, marque dois dedos, retire a mão da testa e coloque-a no tórax e a outra por sobre a primeira e inicie 15 compressões cardíaca externa.


A velocidade destas compressões deve ser de 100 vezes em 60 segundos. Em crianças de 1 a 9 anos utilize apenas uma mão para as compressões. Mantenha alternando 2 ventilações e 15 compressões, e não pare até que:
a - Haja resposta e retorne a respiração e os batimentos cardíacos. Coloque então a vítima de lado e aguarde o socorro médico solicitado;


b - Você entregue o afogado a uma equipe médica; ou
c - Você fique exausto.
Assim, durante a RCP, fique atento e verifique periodicamente se o afogado está ou não respondendo, o que será importante na decisão de parar ou prosseguir nas manobras. Existem casos descritos de sucesso na reanimação de afogados após 2 horas de manobras e casos de recuperação sem danos ao cérebro até 1 hora de submersão.
* Sempre inicie todo processo com apenas um socorrista, para então após 2 a 3 ciclos completos de RCP, iniciar a alternância com dois socorristas.
* Os socorristas devem se colocar lateralmente ao afogado e em lados opostos.
* Aquele responsável pela ventilação deve cuidar da verificação do pulso no período da compressão e durante a parada para reavaliação, e de manter as vias aéreas desobstruídas.
* Em caso de cansaço realize a troca rápida de função com o outro.
* Mesmo com dois socorristas, a relação da RCP será 2:15.
* Após os primeiros 4 ciclos completos de compressão e ventilação, reavalie a ventilação e os sinais de circulação. Se ausente, prossiga a RCP e interrompa-a para nova reavaliação a cada 3 a 5 minutos.
A RCP deve ser realizada no local do acidente, pois é aonde a vítima terá a maior chance de sucesso. Nos casos do retorno da função cardíaca e respiratória acompanhe a vítima com muita atenção, durante os primeiros 30 minutos, até a chegada da equipe médica, pois ainda não esta fora de risco de uma nova parada cárdio-respiratória.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
* Nos casos onde não houver efetividade da manobra de ventilação boca-a-boca, refaça a hiperextensão do pescoço e tente novamente. Caso não funcione, pense em obstrução por corpo estranho e execute a manobra de Heimlich.
* As próteses dentárias só devem ser retiradas caso estejam dificultando a ventilação boca-a-boca.
* O ar atmosférico é uma mistura gasosa que apresenta cerca de 21% de O2 em sua composição. Em cada movimento respiratório gastamos cerca de 4% desse total, restando 17% de O2 no ar expirado pelo socorrista. Esta quantidade de O2 é suficiente para a ventilação boca-a-boca ser considerado o mais eficiente método em ventilação artificial de emergência.

QUANDO VALE A PENA TENTAR A RCP EM AFOGAMENTO?
O tempo é fator fundamental para um bom resultado na RCP, e os casos de afogamento apresentam uma grande tolerância a falta de oxigênio, o que nos estimula a tentar a RCP além do limite estabelecido para outras patologias. Inicie a RCP em:

1. Todos os afogados em PCR com um tempo de submersão inferior à 1 hora - Três fatos juntos ou isolados explicam o maior sucesso na RCP de afogados - o 'Reflexo de mergulho', a continuação da troca gasosa de O2 - CO2 após a submersão, e a hipotermia. O Centro de Recuperação de Afogados (CRA) tem registrado 13 casos de PCR com submersão maior do que 7 minutos, sendo 8 com mais de 14 minutos ressuscitados com sucesso.8
2. Todos os casos de PCR que não apresentem um ou mais dos sinais abaixo;
* Rigidez cadavérica
* Decomposição corporal
* Presença de livores

 MANOBRA DE HEIMLICH

Manobra para desobstrução de vias aéreas por corpo estranho
· Corpo estranho em vias aéreas é qualquer objeto que se coloque em posição de impedir a ventilação pulmonar normal, como balas, moedas, dentadura, alimentos e outros.
· A manobra de HEIMLICH é o único método pré-hospitalar de desobstrução das vias aéreas superiores por corpo estranho.
A manobra de Heimlich deve ser realizada quando:
· Houver forte suspeita de corpo estranho obstruindo as vias aéreas.
· Não houver resposta à ventilação Boca-a-Boca (ausência de elevação do tórax).
A obstrução das vias aéreas por corpo estranho deve ser suspeitada nos seguintes casos:
. Adultos jovens que estavam se alimentando e subitamente param de respirar.
. Crianças que estavam se alimentando ou brincando com pequeno objeto e subitamente perdem a consciência e param de respirar.
. Qualquer paciente em PCR, em que a ventilação boca-a-boca não produza a elevação do tórax.
. Impossibilidade de respirar, tossir e falar de ocorrência súbita.
1 - Vítimas Conscientes com obstrução de vias aéreas
· Verifique se a vítima está se sufocando e sua capacidade de emitir sons.
· Caso a vítima possa tossir ou falar, significa que a obstrução é incompleta. Acione o sistema SEM (193) para transportar a vítima para o hospital de referência e não efetue a Manobra de Heimlich.
· Nas obstruções completas posicione-se por trás da vítima cincundando-a com seus braços e faça compressões abdominais sucessivas, direcionadas para cima, até desobstruir as vias aéreas ou o paciente perder a consciência.
2 - Vítimas Inconscientes com obstrução de vias aéreas
· Suspeite de obstrução em vítimas nas quais você encontre dificuldade para insuflar seus pulmões.
· Refaça a hiperextensão do pescoço e tente novamente ventilar - Caso não tenha sucesso:
· Ajoelhe-se a cavaleiro sobre as coxas do paciente e coloque as mãos entre o umbigo e o início das costelas. Faça 5 compressões súbitas no abdome em direção a cabeça.
Após a manobra de Heimlich - tente novamente ventilar o paciente por duas vezes.
· Abra a boca e verifique se o corpo estranho foi deslocado, retirando-o.
· Em caso de insucesso, repita toda a seqüência, até que seja obtido sucesso.
· Em lactentes, coloque a criança com a cabeça em posição mais baixa que o corpo, uma das mãos segura a cabeça e a mandíbula em ligeira hiperextensão, e com a outra mão dê 5 tapas no tórax. Caso não seja efetiva, gire a vítima de frente e tente 5 compressões torácicas abaixo do ponto da compressão cardíaca em lactente.
Em caso de vômitos vire a cabeça de lado, limpe a boca e continue o procedimento.
· Não inicie a compressão cardíaca até que a obstrução tenha sido resolvida.

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